Entenda as causas da insegurança alimentar e como garantir o direito à alimentação no Brasil

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A fome é um problema sério no Brasil, que afeta muitas pessoas todos os dias. Mas uma crise bastante presente e nem sempre discutida é a insegurança alimentar, que aumentou no Brasil e no mundo.

Os dados da ONU demonstram que 21 milhões de brasileiros passam fome e 70,3 milhões estão em insegurança alimentar, em 2023. Isso faz com que 10 milhões estejam desnutridos. No mundo, há 735 milhões de pessoas sem ter o que comer e 2,3 bilhões em situação de incerteza.

Esse cenário levou o Brasil a voltar ao Mapa da Fome, em 2022. Nesse contexto, os mais afetados são crianças, mulheres (especialmente, mães solo que vivem abaixo da linha da pobreza) e famílias em situação de vulnerabilidade social. Por isso, é necessário combater a fome e garantir o direito básico à alimentação.

Neste post, vamos abordar esse assunto e explicá-lo melhor. Continue lendo!

O que é insegurança alimentar?

A insegurança alimentar é o termo usado para designar a falta de acesso a alimentos nutritivos e seguros, em qualidade e quantidade suficientes. Na prática, quem está nessa condição não sabe quando e como se alimentará nem quanto tempo a comida durará. Ou seja, é um cenário de incerteza, que afeta o desenvolvimento e o crescimento do indivíduo.

Essa situação impacta aspectos cognitivos e motores, e pode gerar doenças. Afinal, a pessoa pode ter problemas de imunidade, estar em desnutrição e ter que sacrificar outras necessidades básicas para consumir um alimento, muitas vezes, pobre em nutrientes.

De toda forma, a insegurança de alimentos pode ser crônica ou temporária. No primeiro caso, a pessoa normalmente está nessa condição. No segundo, é um problema transitório, que será resolvido posteriormente.

Independentemente do caso, a erradicação da pobreza é uma medida eficiente para combater a fome e a insegurança alimentar. Desse modo, é possível garantir acesso aos direitos básicos e mais qualidade de vida para todos.

Quais são os tipos de insegurança alimentar?

Os tipos de insegurança alimentar são leve, moderado e grave. Essa é a categorização da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia). Já a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) define como moderada, grave, crônica e aguda.

Cada uma dessas classificações tem suas características.

Classificação de insegurança alimentar da Ebia

A classificação da Ebia define que a insegurança alimentar leve se caracteriza por preocupação ou incerteza no acesso aos alimentos. Ela também se refere ao consumo de itens em qualidade inadequada, privilegiando a quantidade. Ou seja, as pessoas optam por comprar mais comida, sem atentar aos nutrientes disponíveis.

Já a moderada é aquela em que há uma redução na quantidade de alimentos entre os adultos, sendo que existe uma falta. Assim, existe uma mudança nos padrões de alimentação.

Enquanto isso, a grave se refere a uma diminuição elevada da quantidade de alimentos disponíveis para todos os moradores da casa. Assim, começa-se a sentir fome e isso também afeta as crianças.

Classificação de insegurança alimentar da FAO

A classificação de insegurança alimentar da FAO define que a moderada acontece quando a pessoa tem prejuízos na sua capacidade de obter alimentos. Isso pode acontecer por falta de acesso a recursos ou queda na renda. Assim, existe uma redução da qualidade e/ou da quantidade dos itens consumidos. Porém, isso acontece em algumas épocas do ano.

A insegurança alimentar grave é definida como sendo a falta de acesso à comida. Com isso, a pessoa passa fome durante o dia e pode até ficar dias sem se alimentar, em casos extremos.

A crônica é a situação em que a incerteza permanece ao longo do tempo. Normalmente, isso acontece devido a fatores que impactam toda a sociedade. Um exemplo é a inflação, que gera o aumento generalizado de preços.

Enfim, a aguda se caracteriza por uma quantidade tão reduzida que ameaça a vida ou os meios de subsistência da pessoa. Ela independe de contexto, causa ou duração. Esse é o caso de quem está em desnutrição e corre o risco de morrer.

Qual a diferença entre insegurança alimentar e fome?

A diferença entre insegurança alimentar e fome é a quantidade e a qualidade dos alimentos, bem como a sensação física causada. No caso da incerteza, há menos comida e/ou os itens têm menos nutrientes. Já na falta total, ocorre um desconforto físico ou dor, especialmente porque o organismo tem energia insuficiente para passar o dia.

Para ficar mais claro, a insegurança alimentar sempre vem primeiro. Portanto, toda pessoa que passa fome sofre da condição de incerteza de ter alimentos em quantidade e qualidade suficientes.

No entanto, nem todo mundo que passa por insegurança alimentar chegará à condição de fome. Isso porque a situação pode ser temporária.

Quais são as causas da insegurança alimentar?

As causas da insegurança alimentar são variadas e abrangem: escassez de alimentos, produção insuficiente, problemas de abastecimento, perda da renda e situação de vulnerabilidade social. Os preços elevados e as condições climáticas também influenciam. De modo geral, mais de um fator interfere para chegar a esse cenário.

Por exemplo, as condições climáticas geram perda na produção e isso faz com que haja escassez de alimentos. Ao mesmo tempo, o preço aumenta, justamente devido à demanda maior.

A luta contra a pobreza e a desigualdade social é indispensável para combater a insegurança alimentar. Isso porque o desemprego (perda de renda) é um dos principais fatores que levam à vulnerabilidade social. Assim, todos têm acesso ao direito básico da alimentação.

Quais as consequências da insegurança alimentar?

As consequências da insegurança alimentar são piora da qualidade de vida, fome, surgimento de doenças e outros problemas de saúde física e mental. Tudo isso pode acarretar anemia, desnutrição, sobrepeso (devido ao consumo de alimentos pobres em nutrientes e ricos em gordura e açúcares) e redução do sistema imunológico.

Em casos mais graves, pode levar até à morte. De toda forma, a pessoa tem menos energia para viver e exercer suas atividades. Para crianças, também há problemas no desenvolvimento, especialmente nas funções cognitiva e física.

A preocupação entre insegurança alimentar e mudanças climáticas

As mudanças climáticas alteram os padrões climáticos, levando a eventos extremos como secas prolongadas, inundações e ondas de calor, que prejudicam a produção agrícola e reduzem a disponibilidade de alimentos. 

Isso resulta em escassez de alimentos, aumento dos preços e diminuição da qualidade nutricional, impactando diretamente a segurança alimentar das comunidades. 

Como a desigualdade social afeta a insegurança alimentar?

A insegurança alimentar é um problema também influenciado pela desigualdade social. As disparidades entre grupos da sociedade afetam diretamente a capacidade das pessoas de obter alimentos suficientes e nutritivos. 

Vamos explorar como a desigualdade social impacta a insegurança alimentar em vários níveis.

Baixa renda

Quando a renda é insuficiente, essas famílias precisam escolher entre comprar comida e outras necessidades básicas, como moradia, saúde e educação. Isso muitas vezes leva a dietas inadequadas, com baixa qualidade nutricional, já que alimentos mais saudáveis tendem a ser mais caros.

Educação nutricional

A falta de conhecimento sobre a importância de uma dieta balanceada e como preparar alimentos nutritivos pode levar a escolhas alimentares inadequadas.

Saúde precária

A saúde precária é tanto uma causa quanto uma consequência da insegurança alimentar. Pessoas em situação de pobreza frequentemente têm acesso limitado a cuidados de saúde de qualidade.

Problemas de saúde relacionados à má nutrição, como anemia e desnutrição, são comuns e podem agravar ainda mais a insegurança alimentar. Além disso, doenças crônicas e condições de saúde não tratadas podem impedir as pessoas de trabalhar e ganhar a renda necessária para comprar alimentos.

Desenvolvimento 

A insegurança alimentar perpetua o ciclo de pobreza. Crianças que crescem com nutrição inadequada têm mais dificuldade de aprender e desenvolver habilidades cognitivas e físicas, o que afeta seu desempenho escolar e suas oportunidades de emprego no futuro. 

Adultos com má nutrição têm menor produtividade no trabalho e são mais suscetíveis a doenças, o que afeta sua capacidade de ganhar uma renda estável.

Quais são as políticas públicas no combate à fome e à insegurança alimentar no Brasil?

As políticas públicas no combate à fome e insegurança alimentar no Brasil são programas de transferência de renda e outros criados especificamente para essa finalidade. Alguns exemplos são o Fome Zero, o Guia Alimentar para a População Brasileira e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

De toda forma, a fome no Brasil persiste e vem aumentando, como os dados confirmam. Por isso, é necessário ter um conjunto de ações efetivas realizadas por organizações da sociedade civil.

A Habitat Brasil contribui com a redução da desigualdade social ao realizar projetos que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade. No total, já foram implementadas ações em todos os estados brasileiros, que impactaram mais de 233 mil cidadãos.

Além de projetos de acesso à moradia digna e a saneamento, água e higiene, a Habitat Brasil também atua de forma emergencial em situações críticas e urgentes. Durante o auge da pandemia da Covid-19, a organização atuou com arrecadação e distribuição de kits emergenciais, com alimentos, água potável, máscara e produtos de higiene. Da mesma forma, a Habitat Brasil beneficiou diversas famílias atingidas pela tragédia das chuvas em Pernambuco e Bahia com kits emergenciais.

Você pode conhecer todos os projetos da Habitat Brasil e entender como eles impactam milhões de vidas. Afinal, todas essas pessoas têm mais acesso aos direitos básicos e isso diminui muito a chance de entrarem em situação de insegurança alimentar.

Apoie a Habitat Brasil e contribua para manter nossos projetos em andamento, que visam transformar vidas por meio da moradia digna, saneamento básico e água potável para todos. Sua doação é essencial para garantir direitos fundamentais e proporcionar uma vida saudável e digna para milhares de pessoas. Juntos, podemos fazer a diferença, faça uma doação hoje!

 Resumindo

Qual é a principal causa da insegurança alimentar?

A principal causa da insegurança alimentar é a situação de vulnerabilidade social. Ela está atrelada ao desemprego (perda de renda), aumento do preço dos alimentos, mudanças climáticas, escassez de alimentos e produção insuficiente. Ou seja, vários fatores estão interligados e podem influenciar o cenário até chegar a essa incerteza.

Quais são as consequências da insegurança alimentar?

As consequências da insegurança alimentar são a falta de energia para as atividades diárias, problemas de saúde física e mental (especialmente, o surgimento de doenças) e o prejuízo no desenvolvimento cognitivo e físico. Isso leva ao aparecimento de anemia, redução do sistema imunológico e até morte.