Racismo ambiental e a luta por justiça climática

Share this

Você sabe o que é racismo ambiental?  O conceito faz referência às injustiças sociais e ambientais que impactam mais fortemente grupos étnicos vulnerabilizados e grupos que são discriminados por sua “raça”, origem ou cor de pele. Portanto, o racismo ambiental atinge pessoas negras, mas também comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e periféricas, e outras.

No Brasil, tem muita gente que sofre com o racismo ambiental. A Fiocruz fez um mapa que mostra pelo menos 625 casos de conflitos por causa disso. Esses conflitos envolvem jogar lixo tóxico em terras indígenas ou romper barragens que matam e estragam o ambiente em que essas pessoas moram.

O racismo ambiental no Brasil é um problema sério que precisa ser resolvido logo. Neste artigo, falaremos mais sobre isso, explicando por que isso acontece, o que isso causa e o que podemos fazer para mudar essa situação.

O que é racismo ambiental

Racismo ambiental é uma forma de discriminação que afeta desproporcionalmente as comunidades negras, indígenas e pobres que sofrem os maiores impactos da degradação ambiental e das mudanças climáticas.

Essas comunidades são frequentemente excluídas das decisões políticas e econômicas que afetam seus territórios, seus modos de vida e seus direitos humanos. O racismo ambiental é, portanto, uma questão de justiça social e ambiental, que exige uma resposta urgente e coletiva.

O conceito de racismo, criado por Benjamin Chavis, ambiental surgiu nos Estados Unidos, na década de 1980, a partir da resistência a depósitos tóxicos em uma área predominantemente negra na Carolina do Norte. Esse conceito ressalta como comunidades marginalizadas, sobretudo negras, sofrem desproporcionalmente com problemas ambientais devido a práticas racistas. 

No Brasil, o racismo ambiental se manifesta de várias formas. Por exemplo:

  • a falta de acesso a serviços básicos de saneamento, água potável, coleta de lixo e energia elétrica nas favelas e periferias, que aumenta a vulnerabilidade dessas populações a doenças e epidemias;
  • a exposição a resíduos tóxicos, agrotóxicos, metais pesados e outras substâncias nocivas à saúde em áreas próximas a indústrias, minas, usinas, portos e aterros sanitários, que afetam principalmente as comunidades negras e quilombolas;
  • o deslocamento forçado ou a violência contra os povos indígenas, que têm seus territórios invadidos, desmatados, queimados ou contaminados por madeireiros, garimpeiros, latifundiários, hidrelétricas, rodovias e outras obras de infraestrutura;
  • a negação ou a demora na regularização fundiária das terras ocupadas por comunidades tradicionais, que dificulta a proteção e a gestão de seus recursos naturais e culturais;
  • a invisibilidade ou a sub-representação das populações negras, indígenas, quilombolas e ribeirinhas nos espaços de decisão e participação sobre as políticas ambientais, que não consideram suas demandas, saberes e experiências.

Como as populações vulneráveis são afetadas pelo racismo ambiental

O racismo ambiental, em geral, atinge com mais intensidade a população em vulnerabilidade. Isso acontece porque essas pessoas moram em lugares onde o meio ambiente é mais destruído e perigoso.

Esses lugares têm mais poluição, desmatamento, escassez de água, enchentes etc. fazem mal para a saúde, a qualidade de vida e os direitos dessas pessoas. Por exemplo, muitas vezes elas perdem suas casas, suas terras e suas fontes de renda devido a tragédias ambientais, como o rompimento de barragens ou o avanço do mar.

O rompimento da barragem de Mariana, em 2015, foi um exemplo de racismo ambiental no Brasil. A tragédia matou 19 pessoas e contaminou o rio Doce com rejeitos de minério de ferro. Entre as vítimas imediatas, 4,5% eram negras.

O povo indígena Krenak, que vivia às margens do rio, também foi gravemente afetado, perdendo sua fonte de água, alimento e cultura. Assim, o desastre atingiu de forma desproporcional as comunidades rurais, quilombolas e indígenas, que dependiam do rio para sobreviver

Outro caso foi o desastre de Brumadinho, em 2019, que matou 270 pessoas e poluiu o rio Paraopeba. A maioria das vítimas era de trabalhadores da mineração e moradores da região, que também foram afetados pela perda de suas casas, terras e fontes de renda. Entre as vítimas, quase 60% dos mortos e 70% dos desaparecidos eram não brancos e ganhavam menos de dois salários mínimos em média.

Ou seja, o racismo ambiental é uma forma de desigualdade, já que nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades e condições de viver bem e de cuidar da natureza. Por isso, é importante conhecer e combater o racismo ambiental, para que todos possam ter uma vida digna e um meio ambiente saudável.

Como ajudar famílias atingidas pelo racismo ambiental

Para garantir os direitos dessas famílias à moradia digna, à saúde, à educação e à participação social, uma das organizações que atua nesse sentido é a Habitat para a Humanidade Brasil. Há 30 anos atuando no Brasil, a ONG promove a construção e a restauração de habitações em áreas de risco, além de apoiar projetos de desenvolvimento comunitário e de defesa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, especialmente o direito à moradia digna.

A Habitat Brasil acredita que a moradia é um fator essencial para a dignidade humana, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável. Por isso, a rede internacional da Habitat  realiza diversas ações em mais de 70 países, como:

  • Construir e reformar casas, escolas, centros comunitários e outras infraestruturas em áreas de risco ou de baixa renda.
  • Capacitar e mobilizar voluntários, parceiros, doadores e beneficiários para participar das atividades da organização.
  • Defender e incidir politicamente para influenciar as políticas públicas e as práticas do setor privado relacionadas à habitação e ao meio ambiente.
  • Educar e conscientizar sobre os temas de moradia, cidadania, direitos humanos e sustentabilidade.

A organização tem como princípios a solidariedade, a cooperação, a transparência, a participação e a responsabilidade social. Ela tem em vista envolver todos os setores da sociedade em sua missão, respeitando a diversidade cultural, religiosa e étnica das comunidades onde atua.

Ela também valoriza a autonomia e o protagonismo das famílias beneficiadas, que contribuem com trabalho, recursos e decisões para a realização dos projetos.

Um dos projetos mais recentes e relevantes da Habitat foi a restauração de moradias de 83 famílias vítimas da tragédia das chuvas que ocorreram em 2022, no sul da Bahia, no Nordeste.. Essas famílias viviam em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade, e perderam suas casas e seus pertences devido às fortes chuvas que causaram alagamentos, deslizamentos e desabamentos.

Em parceria com outras organizações e com o apoio de voluntários e doadores, a Habitat Brasil reconstruiu as casas, utilizando materiais e técnicas sustentáveis, e ofereceu assistência técnica, social e jurídica para as famílias. Além disso, promoveu oficinas de educação ambiental, gestão de riscos e prevenção de desastres, visando fortalecer a resiliência e a capacidade de adaptação das comunidades frente aos desafios climáticos.

Esse projeto demonstra o compromisso da Habitat Brasil com as famílias vítimas do  racismo ambiental, que são as mais afetadas pelas injustiças sociais e ecológicas que marcam a nossa sociedade. Também entende que a moradia digna é um direito humano fundamental, e que a sua garantia é essencial para a construção de um mundo mais justo, solidário e sustentável.

Apoie a Habitat Brasil e contribua para manter nossos projetos em andamento, que visam transformar vidas por meio da moradia digna, saneamento básico e água potável para todos. Sua doação é essencial para garantir direitos fundamentais e proporcionar uma vida saudável e digna para milhares de pessoas. Juntos, podemos fazer a diferença, faça uma doação hoje!