Escassez de água: motivações, impactos e como evitar

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A água, fonte primordial da vida, é um bem precioso e um direito universal que deveria ser acessível a todos. Contudo, a escassez de água é um problema que afeta desproporcionalmente as camadas mais vulneráveis da sociedade, aumentando a exposição a doenças e à má nutrição.

Escassez de água é um fenômeno que ocorre quando a demanda por água excede a oferta disponível em uma determinada região ou período.

Ela é caracterizada pela insuficiência quantitativa e qualitativa desse recurso essencial para atender às necessidades humanas, industriais, agrícolas e ecológicas. Ou seja, quando há água, mas ela é imprópria para ser consumida ou utilizada, também falamos em escassez.

Isso não é apenas uma preocupação ambiental, mas um desafio social. A escassez de água reflete a desigualdade, aumentando a vulnerabilidade de quem já tem pouco. Assim como a poluição e a extinção de espécies, a escassez de água é problema que precisa ser resolvido para equilibrar nossa relação com a sociedade e com o ecossistema.

Chegou a hora de agirmos, unirmos forças e encontrarmos soluções, pois somente juntos poderemos lidar com a escassez de água e proporcionar um futuro de esperança e igualdade para todos.

O que causa a escassez de água?

A escassez de água assola populações em todo o mundo. No Brasil, no entanto, o problema se torna cada vez mais alarmante, deixando comunidades pobres em situações piores, como a exposição a doenças e a incapacidade de buscar condições mais dignas, e aumentando a desigualdade.

Os motivos para a escassez desse recurso são tanto relacionados aos fatores naturais quanto à ação humana.

Fatores naturais

As condições geográficas e climáticas de determinadas regiões desempenham um papel fundamental na disponibilidade de água.

Regiões áridas e semiáridas, caracterizadas por baixas precipitações, altas taxas de evaporação e solos pouco permeáveis, têm dificuldades de garantir um suprimento adequado de água. Da mesma forma, áreas montanhosas podem enfrentar dificuldades de acesso e distribuição de água devido à topografia acidentada.

A perda dos recursos hídricos ao longo dos anos também é um fator significativo. Ao mesmo tempo em que a população aumenta, os recursos diminuem ou se tornam impróprios.

Desse modo, quem vive nessas regiões pode enfrentar mais dificuldades para ter acesso à água ou para distribuí-la. O acesso pode ser condicionado pela época do ano ou pela incidência de chuva.

Influência da ação humana

A urbanização descontrolada e a expansão das áreas urbanas levam a uma demanda crescente por água. Muitas vezes, essa demanda excede a capacidade de abastecimento das fontes naturais em muitas regiões do mundo tem levado a uma transformação na forma como a água é percebida e comercializada.

Nesse mesmo cenário, a poluição da água proveniente do descarte inadequado de resíduos industriais e domésticos agrava a situação. Isso torna a água imprópria para beber e, em alguns casos, mesmo para tomar banho ou escovar os dentes.

Setores como a agricultura consomem uma parcela significativa da água disponível. O uso indiscriminado de água na agropecuária contribui para o esgotamento dos recursos hídricos.

Além disso, a indústria demanda grandes volumes de água para seus processos produtivos, frequentemente lançando resíduos contaminantes nos corpos d’água.

Crise hídrica no Brasil: agravando problemas já conhecidos

Ainda que o Brasil detenha 12% de toda a água doce do planeta, a distribuição do recurso nunca foi igualitária. Porém, isso se agravou em 2021 por conta da crise hídrica.

A crise hídrica foi um despertar angustiante para a vulnerabilidade de nosso país diante da escassez de água. Uma combinação de fatores climáticos e humanos agravou a situação, lançando um alerta sobre a importância da gestão consciente desse recurso.

A falta de chuvas foi um dos protagonistas da crise. O ano de 2021 foi marcado por um período prolongado de seca, com chuvas abaixo da média histórica em diversas regiões, especialmente nas bacias dos rios São Francisco, Paraná e Tocantins.

A influência do fenômeno La Niña contribuiu para a diminuição das chuvas e aumento das temperaturas, agravando a evaporação e a redução dos níveis dos reservatórios.

As práticas humanas tiveram um impacto importante nesta crise. O aumento da demanda sobrecarregou os já escassos recursos hídricos. O uso ineficiente, a falta de investimentos em infraestrutura e o descarte inadequado de resíduos também foram agravantes.

Como resultado, houveram problemas profundos e generalizados. Muitas cidades enfrentam rodízios e racionamento de água, com milhões de brasileiros vivendo sob a incerteza de ter acesso à água potável.

Além disso, a agricultura foi duramente afetada, com perdas significativas nas safras e dificuldades para manter a produtividade. Ainda sentimos o impacto da crise hídrica neste momento, já que muitos dos fatores que levaram a ela ainda nos afetam no dia a dia, como a infraestrutura precária para o armazenamento e distribuição igualitários da água.

Quais são as consequências da escassez de água?

A escassez de água traz consequências que vão além do que imaginamos em um primeiro momento. Abaixo, confira alguns dos impactos mais relevantes desse fenômeno:

  • falta de acesso à água potável e a higiene precária contribuem para a propagação de doenças transmitidas pela água, aumentando os índices de morbidade e mortalidade, especialmente entre as populações mais vulneráveis;
  • milhares de pessoas precisam caminhar horas para buscar água todos os dias em regiões onde a escassez é mais profunda;
  • a água acaba se tornando um bem privado que só quem pode pagar consegue ter acesso a uma água de qualidade;
  • Rios secos, lagos e reservatórios com níveis baixos afetam a biodiversidade e o equilíbrio dos habitats. Espécies aquáticas são ameaçadas, e a vegetação sofre, levando à desertificação em certas áreas.

Esses fatores se tornam ainda mais importantes quando percebemos como um recurso impacta as pessoas em situação de vulnerabilidade. Por exemplo, quando existe mais propagação de doenças, temos menos pessoas dispostas no mercado de trabalho.Hoje, mais de 7,6 milhões de crianças e adolescentes não têm acesso adequado à água no Brasil. Isso significa que elas não têm as condições necessárias para manter uma boa saúde, frequentar a escola e buscar construir uma nova realidade.

Com o aumento das temperaturas, os impactos da escassez de água se tornam mais evidentes. Mas não podemos deixar de focar em um de seus resultados mais expressivos: a desigualdade social.

Qual é a relação entre escassez de água e desigualdade social?

A desigualdade de acesso à água no Brasil é um reflexo de uma série de fatores interconectados, que abrangem questões sociais, econômicas, políticas e ambientais.

A escassez de água vive em ciclo com a desigualdade social: as camadas mais vulneráveis da população não têm bom acesso à água; ao mesmo tempo, a falta de acesso à água mantém as pessoas em situação de vulnerabilidade.

Famílias de baixa renda não conseguem pagar pelas contas de água ou pela água engarrafada. Cerca de 35 milhões de pessoas vivem sem água tratada no Brasil. Em algumas regiões, a água que sai das torneiras nem sempre é própria para beber, e famílias que não podem comprar água são prejudicadas.

Essa falta de recursos também impacta na capacidade de armazenar água potável, porque impede a construção e manutenção de estruturas como caixas d’água e cisternas.

Nas areas rurais, bairros pobres e comunidades remotas muitas vezes não há infraestrutura de abastecimento de água e saneamento básico. No Brasil, uma em cada três pessoas não têm acesso a saneamento básico.

Também há a questão política: a implementação e fiscalização insuficientes das leis relacionadas à água podem levar a lacunas no acesso e uso desigual. Ao mesmo tempo, grandes empresas e fazendas podem ter acesso privilegiado a recursos hídricos em comparação com comunidades locais, e o uso excessivo de água na agricultura e na indústria está associado a práticas ineficientes.

Também existe um aspecto de gênero na escassez de água. As mulheres são as que mais sofrem: 41 milhões de brasileiras não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária e ao saneamento.

Em muitas comunidades, elas são as principais responsáveis pela coleta de água. A escassez de água aumenta a carga de trabalho e pode limitar suas oportunidades educacionais e econômicas. A escassez também destaca a desigualdade racial: 40% das mães negras e solteiras sofrem sem um tratamento de esgoto adequado.

Como consequência, quem não tem acesso à água sofre por não poder combater ou prevenir doenças, têm menos disposição e acabam se isolando da sociedade.

Enquanto, por exemplo, grandes fazendas têm acesso livre à água potável, pequenos agricultores podem perder toda uma plantação por não ter acesso ao recurso.

O que você pode fazer sobre a escassez de água?

A escassez de água é um problema complexo, e sua solução depende da movimentação de leis e estruturas sociais. Porém, enquanto membros da sociedade, podemos usar esse recurso tão precioso de forma mais consciente.

Existem muitas práticas diárias que você pode adotar para usar a água de maneira responsável. Por exemplo:

  • Tomar banhos mais curtos e fechar o chuveiro ao se ensaboar;
  • Verificar regularmente torneiras, registros e canos em casa para evitar vazamentos e conservá-los;
  • Reutilizar a água da máquina de lavar ou da lavagem de vegetais;
  • Fechar a torneira ao escovar os dentes;
  • Usar as máquinas de lavar roupas e louças apenas quando estiver com a carga completa;
  • Colocar redutores de vazão nas torneiras e chuveiros para reduzir o consumo.

Além disso, você pode se engajar conscientemente na luta contra a escassez de água. Confira algumas dicas para prevenir o aumento da escassez e lutar pelo acesso igualitário à água no país:

Mantenha-se informado

O conhecimento é nossa maior ferramenta de transformação social. Por isso, mantenha-se informado sobre as leis que envolvem o uso e a distribuição da água. Além disso, procure entender quais fatores estão impactando mais a escassez na sua região.

Também é interessante procurar soluções e alternativas para a distribuição, armazenagem e limpeza da água.

Participe ativamente da conscientização

Compartilhe informações sobre o uso racional da água com familiares, amigos e comunidade para ampliar a conscientização sobre a importância desse recurso e incentivar práticas sustentáveis.

Engaje-se em iniciativas locais que visem a conscientização sobre o uso responsável da água e participe de programas de educação ambiental.

Fiscalize a ação política

Quando votamos, estamos escolhendo quem vai nos representar enquanto sociedade. Se a escassez de água é um tema importante para você, procure candidatos que proponham soluções interessantes e eficientes para a distribuição e uso da água.

Mas não deixe isso de lado após as eleições. Também é nosso trabalho cobrar os representantes políticos sobre as promessas feitas durante a candidatura. Fiscalize a ação política e conscientize sua comunidade sobre o que deveria ser feito.

Faça parte da mudança

Muitas organizações sociais procuram diminuir a desigualdade de acesso à água no Brasil. Conhecer o trabalho delas e participar de ações é uma forma de contribuir na missão de tornar nosso país mais justo e igualitário.

A Habitat Brasil visa levar acesso à moradia digna para as famílias brasileiras em situação de vulnerabilidade. Desde 1992, já foram 197 mil pessoas beneficiadas, um grande passo na luta contra a desigualdade social no país.

Nossas ações não se resumem à construção de moradias: também temos a missão de melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro a partir do acesso ao saneamento básico e à água potável. Afinal, o acesso a esse precioso recurso é primordial para melhorar a vida de milhões de pessoas.

Conheça nossas ações e faça parte da nossa história com a sua doação. Assim, você ajudará a diminuir a grande lacuna da desigualdade social na nossa sociedade. Para saber mais, nos siga nas redes sociais: Facebook, Instagram, Linkedin, Twitter, Youtube!

Resumindo:

Quais são as causas da escassez de água?

A escassez de água é causada tanto por fatores naturais quanto pelo impacto da ação humana. Regiões naturalmente mais secas ou muito montanhosas costumam ter menos água. Ao mesmo tempo, questões como a poluição e a distribuição desigual dos recursos hídricos também causam escassez.

Quem mais sofre com a escassez de água?

As camadas mais vulneráveis da população sofrem mais com a escassez de água. Além da falta de água potável, quem vive em vulnerabilidade social também não tem acesso a saneamento básico, ficando mais exposto a doenças, à fome e à miséria.

O que podemos fazer para diminuir a escassez de água?

Fiscalizar o uso dos recursos hídricos na sua comunidade e cobrar atitudes dos representantes políticos. Você também pode participar de campanhas de conscientização e fazer doações para organizações sociais que lutam por uma melhor distribuição da água no país.