7 filmes para pensar arquitetura e desigualdade social

Share this

Você já se perguntou como a arquitetura influencia a sociedade? A conexão entre os espaços que habitamos e as estruturas sociais é complexa e reveladora. Enquanto 68% das pessoas viverão em áreas urbanas até 2050, conforme a ONU, a desigualdade social nessas mesmas cidades continua a ser uma questão premente.

Entender essa dinâmica é crucial, pois ela molda desde o acesso a recursos básicos até as oportunidades de vida. A arquitetura deve estar a serviço da dignidade e sempre na defesa dos direitos humanos. É nisso que a Habitat Brasil acredita e defende, no entanto, nem sempre vemos isso na maior parte das cidades brasileiras.

Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, a especulação imobiliária domina e o mercado se mostra mais importante que a educação e a saúde. Para debater esse tema de forma mais profunda, selecionamos três filmes sobre arquitetura que nos ajudam a refletir sobre a desigualdade social, além de quatro filmes que retratam a desigualdade social com a arquitetura como elemento complementar.

Continue lendo para descobrir como o cinema pode ser uma janela para compreender melhor a arquitetura e a desigualdade social. Continue lendo para descobrir como o cinema pode ser uma janela para compreender melhor a arquitetura e a desigualdade social.

Filmes sobre arquitetura e desigualdade social

Gran Horizonte: Around the Day in 80 Worlds – Martin Schwartz & Daniel Andersson 

Fazendo perguntas ao invés de apresentar respostas, Grande Horizonte tem como objetivo ampliar a perspectiva dos espectadores sobre o mundo em que vivem e o mundo que poderiam ajudar a criar. O filme está baseado na filosofia de que o futuro do desenvolvimento urbano radica na colaboração entre os arquitetos, os governos, a empresa privada e a população mundial dos bairros marginalizados. 

Casalata – Lara Plácido e Ângelo Lopes 

A ilusão de encontrar uma vida melhor nas cidades consolidadas leva as pessoas a irem até elas, mas o sonho rapidamente se desmorona e a falta de oportunidades empurra famílias inteiras aos aglomerados de lata que aparecem, dia após dia, na paisagem de Cabo Verde. O problema da falta de moradia não se resolve de um dia para ou outro. As famílias alojadas nas casas de lata continuarão vivendo em condições sub-humanas por tempo indeterminado, ainda que todos os esforços governamentais se concentrem nesta problemática. 

74 metros quadrados – Tiziana Panizza e Pailo Castilho 

Iselsa e Cathy decidiram fazer parte de um projeto único, desenhado por líderes da arquitetura social, que lhes entregarão sua casa própria integrada a um bairro de classe média. O documentário observa o processo durante 7 anos: a falta de recursos, a integração a um bairro que os rejeita, problemas na construção e o desastre provocado pelas chuvas de inverno. O desafio ainda mais difícil será superar a divisão da comunidade. 

Filmes sobre desigualdade social com a arquitetura em plano de fundo

Parasita (2019)

Dirigido por Bong Joon-ho, esse filme sul-coreano é uma crítica social impactante que narra a história da família Kim, que vive em condições precárias e busca ascender socialmente ao infiltrar-se na vida de uma família abastada. A película aborda de forma intensa as discrepâncias entre classes sociais e os desafios enfrentados pelos menos privilegiados na sociedade.

Essa obra-prima, que foi vencedora de 6 estatuetas do Oscar, retrata a estratificação social através de espaços contrastantes. A família Kim habita um ambiente claustrofóbico e confinado, enquanto a residência da família abastada é representada por amplos espaços, linhas limpas e design moderno, criando um contraste arquitetônico entre as classes sociais.

Preciosa (2009)

Baseado no livro “Push”, de Sapphire, o filme dirigido por Lee Daniels oferece um olhar dolorosamente honesto sobre a vida de Preciosa, uma adolescente negra e obesa que vive em um ambiente de pobreza, abuso e negligência. A narrativa evidencia as dificuldades enfrentadas por pessoas marginalizadas, explorando questões de raça, classe e gênero.

Aqui, a arquitetura é usada para simbolizar a prisão emocional da protagonista. O ambiente urbano opressivo é refletido na estrutura de concreto dos prédios, criando uma atmosfera sufocante. As paisagens urbanas servem como pano de fundo para a narrativa, destacando a desolação e a falta de esperança enfrentadas por Preciosa.

Cidade de Deus (2002)

Esta obra-prima dirigida por Fernando Meirelles e Kátia Lund retrata a vida em uma favela do Rio de Janeiro. O filme segue a história de dois jovens, Buscapé e Zé Pequeno, mostrando a realidade violenta e desafiadora enfrentada pelos moradores, destacando a falta de oportunidades e o ciclo de pobreza que afeta muitas comunidades.

Nesse clássico do cinema brasileiro, a arquitetura da favela é um personagem por si só. As construções improvisadas e caóticas da comunidade destacam-se como um labirinto de becos estreitos e barracos empilhados, revelando a complexa teia social e a falta de planejamento urbano que caracterizam muitas áreas marginalizadas.

A Classe Operária Vai ao Paraíso (1971)

Dirigido por Elio Petri, este filme italiano clássico aborda a alienação e a exploração da classe trabalhadora por meio da história de Lulu, um operário que luta contra as injustiças e a desigualdade na fábrica onde trabalha. A película examina as tensões entre trabalho, capital e a busca por dignidade humana.

Dessa maneira, a arquitetura industrial aparece como cenário para retratar a alienação do protagonista. A fábrica é representada como uma estrutura monumental e impessoal, onde a simetria das linhas de produção reflete a padronização e a desumanização do trabalho, contrastando com a individualidade e humanidade dos trabalhadores.

Portanto, esses filmes não apenas exploram a desigualdade social, mas também usam a arquitetura como uma ferramenta visual para enfatizar as diferenças sociais e os conflitos entre os espaços habitados por diferentes estratos da sociedade.

É possível combater a falta de moradia

A realidade apresentada nos filmes sobre arquitetura está escancarada nas grandes cidades, mas ela pode mudar. Trabalhamos ativamente para influenciar políticas públicas em defesa do direito à moradia e também colocamos a mão na massa para que essa transformação aconteça. Realizando projetos de construção e melhorias habitacionais, fazemos com que pessoas em situação vulnerável tenham um lugar digno para viver. Acreditamos que este é o ponto de partida para uma vida com mais oportunidades e menos desigualdade.

É evidente que, para além de nossas intervenções concretas, a defesa do direito à moradia digna é uma constante na atuação da Habitat Brasil. Por isso, estão em nossas pautas diversas outras ações que precisam ser desenvolvidas, como:

  • investir em programas habitacionais que ofereçam moradias acessíveis para pessoas de baixa renda;
  • promover a regularização fundiária, garantindo o direito à propriedade e facilitando o acesso a financiamentos para a construção ou reforma de imóveis;
  • incentivar parcerias entre o setor público e o privado, para criar soluções inovadoras e sustentáveis;
  • investir em políticas voltadas para a geração de emprego e renda, para que as pessoas tenham condições de arcar com os custos da moradia;
  • promover educação e capacitação profissional de qualidade, já que também desempenham um papel importante na melhoria das condições socioeconômicas das famílias e contribuem para que consigam ter uma moradia digna.

Portanto, combater a falta de moradia requer uma abordagem multifacetada, envolvendo políticas públicas eficientes, parcerias estratégicas e investimentos significativos. Somente dessa forma poderemos garantir o direito à moradia adequada para todos os cidadãos.

Se você concorda que o direito à moradia digna deve ser respeitado, junte-se a nós contribuindo para projetos de construção e melhorias habitacionais