As ondas de calor estão deixando de ser exceção e virando rotina em muitas cidades brasileiras. Dias mais quentes, noites abafadas e temperaturas extremas já fazem parte do cotidiano, resultado direto das mudanças climáticas. Mas esse calor não afeta todas as pessoas da mesma forma.
Para quem vive em casas vulneráveis, principalmente em favelas, periferias e morros, o calor não fica do lado de fora. Ele entra, se acumula e permanece dentro de casa. E quando a moradia não tem janelas, ventilação adequada ou sombra, o calor deixa de ser apenas desconforto e passa a ser um problema de saúde, dignidade e sobrevivência.

Por que as cidades estão cada vez mais quentes
As cidades esquentam mais porque concentram concreto, asfalto e construções muito próximas umas das outras, com pouca vegetação. Esse conjunto cria as chamadas ilhas de calor urbano. Durante o dia, ruas, prédios e telhados absorvem o calor do sol. À noite, esse calor é liberado lentamente, mantendo a temperatura alta mesmo quando o sol já se foi.
Em bairros com mais árvores, áreas verdes e menor densidade, o impacto é menor. Já em regiões densas, com casas coladas e quase nenhum verde, o calor fica preso. O resultado é uma cidade desigual também na temperatura.
Onde o calor pesa mais: dentro das casas
Nas favelas e periferias, essa desigualdade fica ainda mais evidente. Muitas casas são construídas com laje exposta ou telha metálica, materiais que aquecem rápido e demoram a esfriar. As janelas são pequenas ou inexistentes. O vento não circula. As casas são coladas umas às outras.
É o cenário conhecido de quem vive nesses territórios. Um quarto sem janela, uma sala abafada, a laje fervendo ao longo do dia. O ventilador ligado não refresca, apenas empurra o ar quente. À noite, o calor continua. Dormir bem vira desafio. Descansar vira exceção.
Esse calor preso dentro de casa não é detalhe. Ele atravessa o cotidiano, afeta o humor, a produtividade, o aprendizado das crianças e a saúde dos idosos.
Calor extremo também é um problema de saúde
Viver em ambientes muito quentes aumenta os riscos de desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças pequenas, pessoas idosas e quem já tem problemas de saúde sentem ainda mais os efeitos.
Além disso, o calor constante prejudica o sono, aumenta o cansaço e impacta diretamente a qualidade de vida. Quando a casa não protege do calor, ela deixa de cumprir seu papel mais básico: ser um espaço de cuidado, descanso e segurança.
Conforto térmico faz parte da moradia digna

Ter conforto térmico não é luxo. É direito. Assim como acesso à água, saneamento e segurança estrutural, viver em uma casa que não seja insuportável nos dias mais quentes faz parte do conceito de moradia digna. Melhorias simples, como abertura de janelas, ventilação adequada e sombreamento, têm impacto direto na saúde e no bem-estar das famílias, como mostram as ações de melhorias habitacionais realizadas pela Habitat para a Humanidade Brasil.
O clima escancara desigualdades que já existem no território e na forma como as cidades foram construídas.
Soluções simples podem reduzir o impacto do calor
Mesmo em contextos de alta vulnerabilidade, algumas soluções simples podem fazer a diferença:
- Abertura de janelas bem posicionadas
- Ventilação cruzada
- Sombreamento
- Pintura clara de paredes e telhados
- Uso de forros e melhorias na cobertura ajudam a reduzir a temperatura interna das casas.
Essas intervenções não eliminam o problema do calor extremo nas cidades, mas reduzem significativamente seus impactos no dia a dia das famílias. É aí que as melhorias habitacionais se tornam parte fundamental da resposta às mudanças climáticas.
O papel da Habitat Brasil diante do calor extremo
A Habitat para a Humanidade Brasil atua para que o conforto térmico seja reconhecido como parte essencial do direito à moradia digna. Por meio de melhorias habitacionais, a organização contribui para tornar casas mais ventiladas, seguras e saudáveis, especialmente em territórios mais vulnerabilizados.
Além das intervenções diretas nas moradias, a Habitat Brasil também atua na incidência política e no fortalecimento do debate público, defendendo cidades mais justas, com políticas habitacionais que considerem os impactos das mudanças climáticas na vida real das pessoas.
Enfrentar as ondas de calor exige planejamento urbano, políticas públicas e investimentos que coloquem a vida no centro. O calor extremo não é apenas um problema climático. É um problema urbano e social.
Para conhecer mais sobre como a Habitat para a Humanidade Brasil atua na promoção da moradia digna e no enfrentamento das desigualdades climáticas, acesse nosso site e acompanhe nossos conteúdos.
Siga nossas redes sociais: