Onda de calor extremo e a desigualdade climática

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Onda de calor extremo é um fenômeno climático que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, trazendo riscos à saúde, à qualidade de vida e ao meio ambiente. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), 1.413 municípios brasileiros devem sentir os efeitos de uma forte onda de calor que atinge o país em pleno inverno, podendo chegar a 42ºC em algumas regiões.

No entanto, ondas de calor não afetam a todos da mesma forma. Há uma grande desigualdade no calor extremo, que atinge principalmente as populações mais pobres e vulneráveis, que vivem em condições precárias de moradia, sem acesso a áreas verdes e ventilação adequada. Quer saber mais sobre esse tema? Continue lendo o nosso artigo!

O que é a desigualdade climática?

A desigualdade climática é como o clima afeta diferentes grupos de maneiras distintas. De um lado, temos os países mais ricos que acabam contribuindo mais para as mudanças climáticas, principalmente por suas altas emissões de gases de efeito estufa. Por outro lado, os países mais pobres e em desenvolvimento são os que mais sofrem com as consequências dessas mudanças, enfrentando secas, inundações, fome e doenças.

Mas não para por aí. Dentro de cada país, a desigualdade climática se manifesta entre diferentes classes sociais, regiões, etnias e gêneros. Pessoas que já vivem em situações de vulnerabilidade, como a pobreza, marginalização e discriminação, têm menos recursos e oportunidades para lidar com os impactos das mudanças climáticas.

Um exemplo disso é aqui no Brasil é o que acontece com comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas que são especialmente afetadas pela destruição das florestas, poluição dos rios e perda da biodiversidade, impactando diretamente em sua cultura, saúde e segurança alimentar.

Como pessoas em situação de vulnerabilidade sentem mais as ondas de calor extremo?

Calor intenso pode ser um desafio e tanto para a saúde, especialmente para quem vive em situações de desamparo e vulnerabilidade social e econômica. A seguir, veremos como algumas pessoas lidam com as ondas de calor extremo e os obstáculos que enfrentam.

1. Teto que esquenta:

Uma das características das moradias precárias é o uso de materiais de baixa qualidade e isolamento térmico, como telhas de metal, plástico ou amianto. Esses materiais absorvem e irradiam muito calor, fazendo com que o interior das casas fique muito quente durante o dia e demore a esfriar à noite. Isso dificulta o sono e o descanso das pessoas, além de aumentar o risco de desidratação, insolação e hipertermia.

2. Barracos de madeira:

Outro tipo de moradia comum entre as pessoas em situação de vulnerabilidade é o barraco de madeira, que também tem problemas de isolamento térmico. A madeira é um material que absorve mais calor do que o concreto, por exemplo, e também é mais inflamável.

Isso significa que os barracos de madeira podem pegar fogo facilmente em caso de curto-circuito ou faísca, o que é provável de acontecer durante as ondas de calor extremo, quando o consumo de energia elétrica aumenta.

3. Barracas na rua:

As pessoas que vivem em situação de rua também sofrem muito com as ondas de calor extremo, pois não têm um abrigo adequado para se proteger do sol e do calor.

Muitas vezes, elas usam barracas ou lonas improvisadas, que também absorvem mais calor e não oferecem ventilação. Além disso, elas estão mais expostas à poluição, ao ruído e à violência urbana, que podem agravar o estresse e a ansiedade causados pelo calor.

4. Falta de água:

A água é um recurso essencial para a sobrevivência e a saúde das pessoas, e se torna ainda mais essencial em dias de calor extremo. No entanto, muitas pessoas em situação de vulnerabilidade não têm acesso à água potável, seja por falta de abastecimento, de infraestrutura ou de recursos financeiros.

Isso faz com que elas tenham que buscar água em fontes alternativas, como poços, rios ou bicas, que podem estar contaminadas ou secas. A falta de água também impede a higiene pessoal e a limpeza do ambiente, aumentando o risco de doenças infecciosas e parasitárias.

5. Falta de energia elétrica:

A energia elétrica é outro recurso importante para amenizar os efeitos das ondas de calor extremo, ao permitir o uso de ventiladores,geladeira e outros eletrodomésticos que proporcionam conforto e conservação dos alimentos.

No entanto, muitas pessoas em situação de vulnerabilidade não têm acesso à energia elétrica, seja por falta de rede, de medidor ou de pagamento. Isso faz com que elas dependam de velas, lampiões ou geradores, que podem causar acidentes ou poluição.

A falta de energia elétrica também dificulta a comunicação, a informação e o lazer das pessoas, reduzindo a qualidade de vida.

Qual a importância da moradia digna para reduzir os efeitos da desigualdade climática?

A moradia digna é uma forma de reduzir os efeitos da desigualdade climática por oferecer às pessoas condições mínimas de conforto, segurança, higiene e saúde.

Além disso, a moradia é um direito humano fundamental, reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e pela Constituição Federal do Brasil de 1988. O direito à moradia ajuda a  promover a cidadania, a inclusão social, a autoestima e a dignidade humana.

A moradia digna deve atender aos critérios de adequação habitacional, que incluem:

  • localização;
  • disponibilidade de serviços;
  • materiais;
  • instalações;
  • acessibilidade;
  • habitabilidade;
  • expressão cultural;
  • segurança da posse;
  • sustentabilidade ambiental.

Exemplos de como a moradia digna pode contribuir para a redução da desigualdade climática são:

A localização adequada evita que as pessoas vivam em áreas de risco, como encostas, margens de rios, lixões, etc., que podem ser afetadas por desastres naturais, como deslizamentos, enchentes, incêndios, etc.

  • A disponibilidade de serviços públicos, como água, energia, saneamento, transporte, saúde, educação, etc., garante que as pessoas tenham acesso a recursos básicos para sua sobrevivência, bem-estar e desenvolvimento, além de reduzir a exposição a doenças, poluição, violência, etc.
  • O uso de materiais e instalações adequados proporciona conforto térmico, acústico, luminoso e ergonômico, além de prevenir acidentes, infiltrações, mofo, pragas, etc. O uso de materiais e tecnologias sustentáveis, como energia solar, captação de água da chuva, telhados verdes, etc., também contribui para a redução do consumo de recursos naturais e das emissões de gases de efeito estufa.
  • A acessibilidade garante que as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida possam acessar e utilizar a moradia de forma autônoma, segura e confortável, respeitando suas necessidades e direitos.
  • A habitabilidade assegura que a moradia tenha espaço, ventilação, iluminação e privacidade suficientes para atender às funções de morar, trabalhar, estudar, descansar, lazer, etc., de acordo com o número e a composição da família.
  • A expressão cultural valoriza a identidade, a diversidade, a criatividade e a participação das pessoas na concepção, construção, decoração e gestão da moradia, respeitando seus valores, costumes, tradições e aspirações.
  • A segurança da posse garante que as pessoas tenham a certeza jurídica de que não serão despejadas, removidas ou deslocadas de forma arbitrária, violenta ou discriminatória, podendo usufruir da moradia de forma permanente, pacífica e legítima.
  • A sustentabilidade ambiental implica que a moradia seja planejada, construída, utilizada e mantida de forma a minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e maximizar os benefícios sociais e econômicos para as pessoas e para a comunidade.

Uma organização comprometida com a promoção de moradia digna para reduzir a desigualdade climática é a Habitat para a Humanidade Brasil. Integrante da rede global Habitat for Humanity, originária dos EUA e presente em mais de 70 países, a Habitat Brasil concentra seus esforços em combater desigualdades, assegurando que pessoas em situação de vulnerabilidade tenham um lar digno para viver.

Ao longo de sua trajetória, a organização implementou projetos em 24 estados, impactando positivamente a vida de mais de 238 mil pessoas. Suas ações incluem:

  • melhorias habitacionais;
  • construção de cisternas urbanas e rurais;
  • regularização fundiária;
  • melhoria de infraestrutura;
  • mobilização comunitária;
  • educação ambiental;
  • capacitação técnica;
  • advocacy;
  • voluntariado.

O trabalho da Habitat Brasil é potencializado pelo apoio de parceiros, doadores, voluntários, profissionais e organizações locais que compartilham da mesma visão e missão.

Acreditando que moradia digna é um direito universal e uma responsabilidade do Estado para proteger as pessoas da onda de calor extremo, a Habitat Brasil enfatiza a importância da participação social na construção de uma sociedade mais justa, solidária e sustentável.

Apoie a Habitat Brasil e contribua para manter nossos projetos em andamento, que visam transformar vidas por meio da moradia digna, saneamento básico e água potável para todas as pessoas. Sua doação é essencial para garantir direitos fundamentais e proporcionar uma vida saudável e digna para milhares de famílias. Juntos, podemos fazer a diferença, faça uma doação hoje!