Bloco da Reforma Urbana completa 10 anos de frevo e luta

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No Carnaval de 2024, o Bloco da Reforma Urbana completou uma década de resistência e dedicação na luta por cidades onde todos tenham o direito de viver com dignidade. Para celebrar esse marco significativo, tivemos a oportunidade de conversar com pessoas que desempenharam papéis essenciais em nossa história, relembrando momentos inesquecíveis que compartilhamos ao longo dessa jornada. Confira:

O carnaval é a festa mais democrática que temos e a crítica sempre fez parte dessa festa. Então, o bloco representa o encontro da crítica com a alegria de quem luta pelo direito à cidade em Recife. O ano mais marcante para mim foi o em que pautamos a lentidão da justiça na defesa do direito à moradia. A arte da camisa foi muito impactante, com a justiça (personagem que representa nosso bloco) sentada numa tartaruga. Saímos pelas ruas com tartarugas de papelão na cabeça. Chamou bastante atenção. (Socorro Leite, Habitat para a Humanidade Brasil)

Para mim, o bloco representa muita alegria. É o dia que eu mais me divirto em família, porque somos uma família unida por este bloco. Só tenho gratidão. Amo todas as pessoas que fazem o bloco acontecer na paz, na alegria e com muito frevo no pé. (Cristiane Pedroza, Movimento dos Trabalhadores Sem Casa).

O bloco é uma oportunidade de reivindicar direitos, denunciar ausências do poder público nas questões de habitação e ainda brincar o carnaval junto à rede que luta para a superação das desigualdades. Para mim, o segundo ano foi o mais marcante, com o tema “Santa paciência!”, quando tivemos a oportunidade de participar de uma oficina de produção de acessórios e pirulitos com frases de efeito denunciando a nossa indignação. (Edileuza Duque, Habitat para a Humanidade Brasil)

Em uma década de tantas mudanças nas cidades, de aprofundamento da crise urbana, mas também de muita inovação das linguagens políticas, o Bloco da Reforma Urbana foi uma forma de resgatar a alegria nas ruas e fortalecer a resistência popular. Tem sido um gesto importante das organizações em manter viva uma tradição tão importante para o povo como a de levar para o carnaval as demandas populares de modo criativo e agregador. Para mim, um dos momentos mais marcantes foram os encontros do Bloco da Reforma Urbana com a Troça Carnavalesca Empatando Tua Vista, que também completa 10 anos esse ano e que expressa a junção desses processos políticos que simbolizam as lutas pelo direito à cidade nesse último período. Também me marca muito a homenagem àquelas e aqueles que tanto contribuíram para as nossas lutas e não estão mais conosco como Adelmo Araujo, Marta Almeida, Leonardo Cisneiros, Lucia Moura, Mauro Bernardo e tantas outras(os). (Rud Rafael, Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto)

O bloco representa a luta e resistência pela moradia digna. É um espaço irreverente e que une lideranças (novas e históricas) da nossa cidade, assim como as organizações que somam na luta pela reforma urbana. O ano III do bloco foi bem marcante. Lideranças comunitárias e as organizações que fazem parte do Fórum de Reforma Urbana se uniram para produzir adereços para o bloco. Foi um momento de coletividade, onde a política e a arte estiveram de mãos dadas. (Flávia Gomes, artista)

O bloco para mim representa, até hoje, para o que ele foi criado. Ele foi criado para que a gente pudesse fazer uma manifestação de rua no sentido de demonstrar a insatisfação e lutar por direitos que a gente entendia necessário enquanto um fórum, um coletivo que lutava por reforma urbana. Nós tínhamos academia, sindicatos, movimentos sociais populares, ONGs, pessoas, indivíduos que também fizeram parte. Então, para mim, o bloco significa a união de esforços de diversos segmentos que estão lutando pela reforma urbana aqui em Recife. O momento que mais me marcou foi quando um de nossos temas era a regularização fundiária. Foi feito um estudo, através de um projeto, de que processos de usucapião, de regularização fundiária, passavam 10, 15 e até 20 anos sem praticamente se movimentar. Então, fizemos um trocadilho de “excelentíssimo juiz para “esse lentíssimo juiz”. Eu lembro que a camisa era a figura da justiça com um monte de processos ao redor, sentada em cima de uma tartaruga. Junto a essa cena, fizemos uma oficina de montagem de tartarugas, feitas de caixa de papelão e material reciclado, para colocar na cabeça das pessoas para estarem saindo na rua. (Ronaldo Coelho, Habitat para a Humanidade Brasil)