Todo 22 de março, o Dia Mundial da Água chama atenção para a importância de preservar rios e recursos naturais. No Brasil, essa conversa precisa ir além. Para milhões de pessoas, o problema não está apenas na conservação das fontes de água, mas na ausência dela dentro de casa.
Em muitas comunidades, a rotina ainda envolve carregar baldes, buscar água em bicas improvisadas ou depender de soluções precárias para cozinhar, limpar e cuidar da própria higiene. A água não chega pela torneira porque falta infraestrutura básica. E é justamente aí que começa uma cadeia de impactos que afeta saúde, educação e renda.
A garantia do acesso à água potável e ao saneamento é urgente e está atrelada a melhoria de condições de saúde de populações vulnerabilizadas. É também uma das formas mais diretas de transformar o futuro de comunidades inteiras.

O cenário da água e do saneamento no Brasil
Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda convive com um déficit significativo no acesso à água tratada e à coleta de esgoto. Dados do Instituto Trata Brasil, com base no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), mostram que cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada. Quando o tema é esgotamento sanitário, mais de 90 milhões de pessoas vivem sem coleta adequada.
Já o IBGE aponta desigualdades profundas entre regiões, com áreas rurais e periferias urbanas sendo as mais afetadas.
O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece metas ambiciosas: até 2033, o país deve garantir 99% de acesso à água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Esse compromisso exige investimentos robustos e a atuação conjunta de governos, sociedade civil e setor privado.
Água, saúde e dignidade caminham juntas
A ausência de água limpa impacta diretamente a saúde das famílias. Doenças de veiculação hídrica, como diarreia e infecções, tornam-se mais frequentes quando não há acesso à água segura e saneamento adequado.
Além disso, a falta de água dificulta práticas básicas de higiene, algo que ficou ainda mais evidente durante a pandemia de Covid-19, quando ações de WASH (água, saneamento e higiene) foram fundamentais para conter a disseminação do vírus.
Esse cenário também tem um recorte de gênero importante. Em muitas comunidades, são as mulheres e meninas as responsáveis por buscar água, o que consome tempo, energia e limita oportunidades de estudo e trabalho.
Para crianças e adolescentes, a realidade não é diferente. A falta de saneamento afeta a frequência escolar, seja por problemas de saúde ou pela ausência de estruturas adequadas nas escolas.
Quando a água chega de forma segura, o impacto é imediato. A saúde melhora, o tempo é melhor aproveitado e a rotina ganha mais estabilidade.
ESG, ODS 6 e o papel das empresas
Investir em acesso à água e saneamento é uma das formas mais concretas de avançar em agendas de ESG. Trata-se de um impacto mensurável, com resultados claros na vida das pessoas e nos territórios.
Esse tema está diretamente conectado ao Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente ao ODS 6, que busca assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e saneamento para todos.
Empresas que direcionam recursos para essa agenda contribuem para reduzir desigualdades estruturais e, ao mesmo tempo, fortalecem seus compromissos socioambientais de forma consistente.
Mais do que uma responsabilidade, existe uma oportunidade concreta de atuação em rede, apoiando iniciativas que já conhecem o território e entregam soluções eficazes.
Projetos que ampliam o acesso à água de forma
A Habitat para a Humanidade Brasil atua diretamente para ampliar o acesso à água, saneamento e higiene em comunidades vulneráveis.
Por meio de projetos como o Água para Vidas, a organização implementa soluções práticas que mudam o dia a dia das famílias. Isso inclui construção de cisternas, instalação de sistemas de captação de água da chuva, melhorias sanitárias e reformas estruturais que garantem condições mais seguras de higiene.
Durante a pandemia, a atuação também envolveu a instalação de pias comunitárias, permitindo que comunidades inteiras tivessem acesso a condições mínimas para prevenção.
Outro destaque é o projeto Saneamento nas escolas, que enfrenta um problema muitas vezes invisibilizado. A falta de banheiros adequados impacta diretamente a saúde e contribui para a evasão escolar. Ao melhorar essa infraestrutura, o projeto fortalece o ambiente educacional e cria condições mais dignas para estudantes e profissionais.
Além das soluções práticas, a Habitat Brasil também atua em advocacy pelo direito à água e ao saneamento, contribuindo para que esse tema avance na agenda pública.
Para entender melhor o impacto dessas iniciativas, vale acessar as páginas de Projetos Executados e Nossos Números no site da organização.

Transformar o acesso à água é um esforço coletivo
Mudar o cenário do acesso à água no Brasil exige ação coordenada. O desafio é grande, mas as soluções já existem e estão sendo aplicadas com resultados concretos.
A parceria entre organizações da sociedade civil e empresas é fundamental para ampliar esse impacto. Ao investir em projetos de água e saneamento, o setor privado contribui diretamente para melhorar a saúde, fortalecer comunidades e reduzir desigualdades.
Se a sua empresa busca gerar impacto social real e alinhado às metas de ESG, este é um caminho possível – e estamos aqui para trilhar o caminho juntos.
Sua empresa também pode fazer parte dessa transformação, apoiando iniciativas que ampliam o acesso à água, ao saneamento e à dignidade em comunidades vulneráveis.
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