Famílias beneficiadas com melhorias habitacionais apontam melhora em quadro de doenças respiratórias, segundo pesquisa

Share this

O estudo, realizado pela Habitat Brasil com 778 pessoas atendidas pelo programa de melhorias com foco em higiene, reforça a relação entre saúde e moradia adequada

Na última quinta-feira (28), a Habitat Brasil lançou uma pesquisa de percepção de mudança de vida de famílias que foram beneficiadas pelo programa de melhorias habitacionais com foco no acesso à água, saneamento e higiene. O estudo traz os dados estatísticos do programa de intervenções realizadas em 2020 e 2021, a partir de reformas e construções, com o objetivo de oferecer ambientes mais dignos, saudáveis e seguros.

O lançamento fez parte da programação do 1º Encontro Colabora HabitAção, evento que reuniu mais de 60 organizações, empresas e negócios de impacto para discutir os principais desafios do setor no país.

O resultado positivo na saúde dos moradores beneficiados foi um dos principais indicadores do levantamento, reforçando a relação entre saúde e acesso à moradia digna. Mais de 50% das famílias atendidas afirmaram ter um ou mais membros com problemas respiratórios como rinite, sinusite, asma, bronquite, entre outros.

Após a realização das melhorias, 89% desse quantitativo declarou melhora nos sintomas das doenças. Além disso, 88% dos núcleos familiares entrevistados confirmaram a importância das intervenções para a prevenção da Covid-19.

“Só de saber que posso me deitar tranquila sem ter que me preocupar e saber que nada corre risco de molhar já é uma benção. Aqui molhava tudo, tinha muita goteira. Em dias de muita chuva, até para cozinhar era difícil, parecia que eu estava cozinhando debaixo de um chuveiro. Eu já perdi muitos móveis por causa disso. Tinha vezes que a gente dormia sentado até passar a chuva. As crianças também ficavam muito doente, pegávamos muita gripe. Eu e minha neta chegamos a pegar até chicungunha”

Dona Maria Cristina, moradora da Comunidade Sítio Nova Conceiçãozinha, no Guarujá

A maneira como os membros das famílias passaram a enxergar a sua própria identidade após as intervenções também foi avaliada – 98% dos pesquisados afirmaram que as mudanças realizadas contribuíram para a melhora da autoestima. No quesito higiene dos espaços, 98% afirmaram que as mudanças simplificaram a limpeza da casa. Dentre as famílias que receberam melhorias nos banheiros, 96% declararam realizar as atividades de higiene pessoal com mais facilidade.

Entre as moradias que passaram por mudanças, 80% eram chefiadas por mulheres, sendo 43% mães solo, e mais de 70% do volume total considerava-se de cor parda ou preta.

A amostra apresenta números coletados por meio da aplicação de questionário com perguntas relacionadas ao tipo de melhoria recebida no imóvel, levando em consideração as mudanças nos seguintes aspectos: salubridade do ambiente, autoestima, saúde e bem-estar dos membros da família, limpeza da casa e hábitos de higiene, economia na conta de energia elétrica, economia de tempo, acesso à água, funcionalidade da casa e acessibilidade e segurança. No total, 778 pessoas foram beneficiadas a partir da abordagem do programa de acesso à água, saneamento e higiene.

Economia e segurança 

Por atender às famílias majoritariamente pertencentes à classe social D, com renda de 0 a 2 salários-mínimos, segundo a classificação do IBGE, o viés econômico do projeto da Habitat Brasil tornou-se ainda mais importante. A diminuição na conta de energia elétrica foi um dos aspectos abordados, e todas as famílias afirmaram ter percebido diminuição no valor após participar das ações de melhoria. No que se refere ao fluxo de água nas casas, 51 famílias receberam reservatórios e, com isso, 96% apontaram melhoria no abastecimento. 

A segurança surge como outro fator de relevo no contexto no qual as famílias estão inseridas. Das participantes do projeto, 94% das famílias sentiram-se mais seguras em suas casas após as alterações.  A privacidade dentro da própria casa, resolvida com instalação de porta no banheiro, por exemplo, ofereceu a 96% dos pesquisados um ambiente mais privativo. Além disso, o programa possibilitou que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida pudessem sentir-se mais seguros em suas moradias. Das 38 famílias com membros nessas condições, 95% sentiram melhora na acessibilidade da casa.