Habitat na Comunidade é tema de matéria da TV Globo

No último dia 12 de junho, o trabalho de melhoria habitacional do projeto Habitat na Comunidade em Heliópolis foi tema de uma reportagem da série “Tubulações”, exibida pelo SPTV 1ª edição da Rede Globo.

Clique aqui, assista à  reportagem e veja como uma simples reforma executada com assistência técnica profissional pode contribuir na transformação de vidas!

Veja mais fotos do dia da gravação com as moradoras em Heliópolis na página no Facebook da Habitat para a Humanidade.

Banheiros reformados e uma nova esperança

Na reportagem, Pamela e Filomena, chefes de família beneficiárias da Habitat, contaram um pouco da reforma realizada em seus lares e das suas histórias. Na época da gravação, as duas estavam em fases diferentes do processo de melhorias urbanas implementado pela organização. Pamela imaginava ansiosa como ficaria o seu lar após a reforma, com brilho nos olhos, escolhia os revestimentos que seriam instalados em seu banheiro. Enquanto Filomena estava radiante com o banheiro transformado e as esperanças renovadas. Atualmente, a reforma da casa da Pamela já está concluí­da e uma nova fase de vida está à espera da jovem “que já faz novos planos e está mais confiante e realizada.

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Pamela Viana perdeu o marido há apenas 6 meses. Aos 30 anos de idade se viu sozinha, sem uma casa para morar, desempregada e com dois filhos pequenos, Kayná e Kauan, 4 e 7 anos respectivamente. Com a ajuda da família, ela conseguiu construir um cômodo, levantou as paredes, colocou uma janela, uma porta e telhas. Nada mais. Viveu alguns meses no improviso, sem água ou esgoto. Sem banheiro, chuveiro ou uma simples pia. Ao procurar o projeto de melhorias habitacionais urbanas em Heliópolis, o Habitat na Comunidade, Pamela foi prontamente atendida, visto o grau elevado de vulnerabilidade em que a família se encontrava. Curiosamente, ao ser escolhida para participar do programa, a jovem conquistou um emprego como auxiliar de limpeza em uma grande faculdade. A pequena casa recebeu reboco nas paredes – o que cobriu os buracos que permitiam que o vento esfriasse a casa, principalmente à noite e em dias de frio e chuva. O banheiro recebeu instalações hidráulicas, de esgoto e revestimentos cerâmicos. Segundo a moradora, “o banho agora é toda hora, quentinho”. Por não ter banheiro em casa, Pamela contava apenas com a solidariedade alheia. “Eu tinha que ficar dependendo dos outros quando eu chegava do serviço para tomar banho. Agora, eu já posso chegar e vir direto para a minha casa, sem incomodar ninguém”, conta satisfeita.

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Além disso, com a chegada do inverno em São Paulo, a família está mais protegida e segura: “Com esse tempo de frio, agora está bem melhor. Durmo quentinho, não chove dentro de casa, a telha molhava. Estou bem tranquila! Estou mais segura do frio, da chuva e do perigo que tinha antes”. Pamela agora também tem uma pia para cozinhar. Uma janela de vidro foi instalada, permitindo que a casa receba mais iluminação durante o dia. E a porta de entrada da casa foi trocada e reposicionada, também contribuindo para a iluminação e melhor distribuição do pequeno espaço da família. Uma nova porta se abriu na vida dessa mãe, que, através de uma reforma, está reconstruindo o seu lar e reconquistando seus direitos, seus sonhos e retomando as rédeas da própria história. A obra da Habitat mal terminou e ela já faz planos – quer ampliar a casa assim que conseguir, sabe exatamente como ficará a divisão dos futuros cômodos da casa imaginada.

De fato, o futuro começa em casa, e os sonhos e a esperança também. A transformação da casa da Pamela está modificando a perspectiva de futuro de toda a sua família. Kauan e Kayná crescerão numa casa mais saudável e segura, a pequena Kayná, ao desenhar e ver as mudanças que estão acontecendo na sua casa, diz segura: “Quando eu crescer, vou ser arquiteta e médica”. Empolgada, a garota ainda diz que na nova casa a mãe “poderá fazer tudo e cozinhar”.

Um motivo para recomeçar

20 dias dividiram a história de Filomena Paula de Lima, 38, e sua família entre a tristeza e um recomeço. Esse foi o tempo que a Habitat levou para reformar a casa da chefe de família. Um banheiro totalmente novo, sala e cozinha reformadas acenderam uma nova expectativa na história da família. Permitiram que Filomena desse um passo em direção a uma diferente fase de vida. “As crianças já estão todas empolgadas, fazendo planos. A gente estava sem expectativa nenhuma. Sem motivação, sem nada”, revela a moradora.

A alegria estonteante e simpatia com que Paula recebe a todos camuflam uma trágica história familiar. Em 2010, numa sequência de 18 dias, ela perdeu os pais. Quatro anos depois, a irmã também faleceu. Ela, que já era mãe solteira, se transformou em chefe de família do dia para a noite. E, com muito carinho, ela cuida sozinha também de dois sobrinhos jovens, Natália (23) e Mateus (20), além da filha de 8 anos, Letícia.

A vida não tem sido fácil para ela, que desabafa: “Eu venho nessa luta, porque eu sou mãe solteira, sou sozinha, então eu tenho que trabalhar para dar o sustento para a minha filha, dar uma qualidade de vida. A gente nunca tem condições, pedreiro é muito caro. É muito complicado, mas a gente vai superando”.

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A melhoria habitacional realizada no lar da família vai muito além de uma reforma. Este é um passo que a família está dando no sentido da superação da perda. “Essa casa aqui era dos meus pais. Então, aqui tudo lembrava eles, era deles. Aonde você olhava, tinha um pouquinho deles. Isso afeta o psicológico da gente, porque é uma perda muito grande”, aponta Filomena. “Eu cheguei a entrar em depressão, é horrível”, confessa.

Com a nova casa, Filomena não perde a chance de chamar alguém que passa para conhecer o seu novo lar. Com uma alegria que não cabe em si, ela conta com orgulho que o banheiro dela está como nos sonhos, até muito melhor do que ela um dia sonhou ou imaginou.

* Texto e fotos por Débora Pinho, assistente de comunicação da Habitat para a Humanidade em São Paulo.