|Clipping| Voluntariado empresarial: um recurso a ser mobilizado – Mobiliza

Confira abaixo matéria de 29/09/16 do portal Mobiliza com participação de Silvia Troncon Rosa, gerente de Mobilização de Recursos, Comunicação e Voluntariado do Escritório Nacional da Habitat para a Humanidade Brasil.

Voluntariado empresarial: um recurso a ser mobilizado 

“A maioria dos trabalhos voluntários, alguns anos atrás, restringia-se a ações pessoais e de pequenos grupos que, sensibilizados por uma causa, dispunham de tempo e conhecimento para atuar nas organizações. Esse cenário mudou e continua em transformação, especialmente quando falamos de voluntariado empresarial.

Há motivos para isso. As corporações se deram conta de que envolver seus colaboradores em causas sociais fortalece a marca junto ao público consumidor e desenvolve habilidades pessoais e profissionais da equipe, contribuindo a um ambiente profissional e uma sociedade mais saudáveis. Para Sílvia Troncon Rosa, gestora de Mobilização de Recursos, Comunicação e Voluntariado da ONG Habitat Brasil, “muitas optam pelo voluntariado porque essa visão social já faz parte de sua cultura. Outras porque é uma demanda dos próprios colaboradores”. André Cervi, co-fundador da ONG Atados, concorda: “essa procura tem aumentado para atender aos funcionários que, nas pesquisas de clima, demonstram o desejo de fazer alguma ação social corporativa”.

Um estudo realizado pelo Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), em 2012, identificou que 29,7% das empresas consultadas optaram pelo voluntariado para favorecer o desenvolvimento das comunidades no entorno de suas sedes. Já 20% delas dedicaram-se a melhorar a vida dos moradores locais e 18% foram motivadas pelo propósito de fortalecer sua imagem.

Da parte dos funcionários, a prática do voluntariado ajuda a desenvolver competências, como respeito a diferenças e liderança solidária, além de proporcionar a oportunidade de fazer parte de algo maior, que trará benefícios a terceiros, gerando satisfação pessoal e orgulho de fazer parte da empresa. Outro ponto, desta vez sob a ótica do mercado atual, é a valorização do trabalho voluntário na hora de selecionar um novo profissional para um posto de trabalho, já que ele traz na sua bagagem um diferencial de valores importantes para a atuação em equipe.

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Silvia Naccache, do CVSP

“Cada vez mais existe a atenção em reconhecer e valorizar o voluntariado. Além da Lei 9.608 de 1998, que regulariza esse trabalho em nosso país, uma das ferramentas hoje usadas para isso é a contabilização das horas que o voluntário dedica a uma organização social. Desde 2012, segundo Resolução CFC Nº 1409/12, de 21 de setembro, o voluntário é valorado pela atividade que realiza, um reconhecimento do recurso que a organização recebe, as horas que lhes são doadas, como se tivesse ocorrido o desembolso financeiro, declaradas nos balanços patrimoniais”, explica Silvia Naccache, coordenadora geral do Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP).

Oportunidade para as organizações

No tripé que sustenta o voluntariado empresarial ou corporativo estão as organizações da sociedade civil. No entanto, grande parte delas, embora ofereça espaço para empresas realizarem ações em suas instituições, ainda não as utiliza como forma de captar recursos.
Para muitas, a dinâmica se restringe a abrir as portas, disponibilizar a infraestrutura e a convivência (ou não) com os beneficiados, na expectativa de que tal relação possa trazer outros desdobramentos. Não há engano nisso, mas, talvez, um subaproveitamento da oportunidade, ideal para estreitar laços. Vale ressaltar que algumas corporações ainda encaram o voluntariado como um dia diferente para os frequentadores da instituição e funcionários da empresa, mas que a isenta de ônus, sem estabelecer parcerias ou aportar recursos.

O que as ONGs podem fazer é criar mecanismos que mudem esse olhar e passar a considerar o voluntariado como uma estratégia de mobilização de recursos e cultivo de relações com as empresas.

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Silvia Troncon Rosa, da Habitat Brasil

Essa prática é cotidiana em várias organizações como a Habitat Brasil, que atua para garantir moradias dignas à população de baixa renda, com mais segurança, acessibilidade e saúde, por meio da construção, reforma e reparo de casas. “Desenvolvemos o voluntariado corporativo há mais de dez anos no Brasil, realizando mutirões chamados de ‘brigadas’. A empresa financia as reformas e disponibiliza aos seus funcionários a oportunidade de participar dessa ação, atuando como ‘ajudantes de pedreiros’, com o objetivo de envolvê-los na comunidade que, muitas vezes, está no entorno da corporação. Em cada casa trabalham, normalmente, cerca de quatro ou cinco voluntários. Assim, se a empresa quiser levar vinte voluntários, vai beneficiar cinco famílias (casas)”, explica Sílvia Troncon Rosa.

Outra forma encontrada pela Habitat para potencializar o voluntariado em iniciativas maiores é incluir essa ação no escopo do projeto, podendo acontecer em vários momentos do processo e de diferentes formas: participação dos funcionários nas reformas, capacitações, ações de conscientização e fortalecimento das comunidades, por exemplo.

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